Abrindo Meu Coração

“ Whatever happened to my garden of black roses…”

Querido sobrinho…
Apesar desse texto inteiro acabar girando em torno de sua escolha, ele em momento algum é seu: resolvi concretizá-lo para registrar meus próprios sentimentos, expor e revisar as bases de minha fé e, caso a morte se manifeste, não deixar dúvida alguma sobre minha linha de pensamento e ação, coisa que nenhum governo ou lei desse mundo pode forçar a mudar.
Fiz questão de deixar pequenos detalhes pelo texto que vão, para você e para pouquíssimas pessoas, deixar óbvia a autoria dessas palavras, mas a grande maioria vai passar batida, pois a ignorância e a preguiça, apesar de não serem consideradas pecados, são também um mal crescente nesses tempos: quem Teóphilo é ou deixa de ser, ainda mais por não buscar fama ou reconhecimento… pouca gente quer, de fato, saber e sua identidade estará segura.

Estive Fugindo

Eu não quis festa no meu aniversário e, sim, isso foi porque te considero uma pessoa muito importante: não esquecendo que amo ao Senhor Deus acima de TODAS AS COISAS, você figura entre os primeiros de minha lista… e por isso minha agonia!
Você sabe bem da minha história e do quão reto busco ser: talvez o adultério de meu pai seja o motivo de eu tanto detestar os adúlteros e, sem dúvida, já soube de muitos casos… mas nenhum que tenha testemunhado, abertamente ou, como se diz, “na minha cara”.
Roubo?! Pelos ladrões sinto o mais sincero desgosto e, sem dúvida alguma, gostaria de vê-los açoitados por cada furto covarde que cometessem, afinal, o enredo do assassinato de meu irmão começou com um roubo…
Enfim, permita-me citar a Palavra de Deus quando ela esclarece qual comportamento o cristão deve ter em relação ao pecado:

“(Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Aprovando o que é agradável ao Senhor. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe.” (Efésios 5:9-12)

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.” (2 João 1:9-11)

“Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.” (1 Coríntios 5:9-13)

Não restam dúvidas que existe, sim, uma doutrina de separação bastante rígida sendo ordenada àqueles que querem obedecer ao Senhor Deus, sabendo bem que com os “do mundo” podemos conviver sem tomar parte de suas práticas e destacando os que, deliberadamente cometendo pecado, teimam em se apresentar como “irmãos”…
Quanto mais você soa como evangélico e toca no nome de Jesus, mais certeza eu tenho de que as empresas eclesiásticas naufragaram e se tornaram clubes criados para agradar aos fregueses, mais certeza eu tenho de que já estamos avançados no tempo profético chamado de apostasia, mais entendimento eu tenho do porquê do Senhor Jesus Cristo precisar de um novo nome… a culpa não é sua: você — com toda a sua inteligência, simpatia, sagacidade, espontaneidade… — é apenas um graveto que foi tragado pela força do vagalhão do fim dos tempos — biblicamente registrado, avisado e detalhado… larga e sistematicamente ignorado pela maioria dos que se chamam de “irmãos”.

Por falar em irmão, gostaria de citar um dos momentos mais marcantes em minha vida, quando me deparei com o corpo de meu irmão dentro de um caixão e descobri que não adianta abraçar, beijar ou agarrar um defunto… foi ali que assumi definitivamente minha condição HOMOAFETIVA, ou seja, passei a abraçar e beijar a todos — homens e mulheres, a despeito de algumas mascalefidroses — aqueles a quem quero bem sempre que os encontro, sem medo do que possa ser dito, afinal… não sei se aquela ocasião pode ser nosso última reunião nessa terra!
Há uma dezena de irmãos virtuais a quem gostaria muito de abraçar ainda nesta terra, mesmo sabendo que é certo nosso encontro diante do Pai.
Quantas vezes não te abracei, meu querido?

O problema é que a mídia faz um jogo sórdido com as palavras e muitos já não são capazes de diferenciar o termo “homoafetivo” do “homossexual” e, sem dúvida alguma, são coisas bastante diferentes: meu abraço de carinho não é nem nunca foi um convite para a cama! Meu beijo nas faces nada tem de erotismo…
Aliás, a própria palavra “amor” foi deturpada e até uma prostituta exercendo sua profissão é dita como se “fizesse amor”, coisa que de forma alguma reflete a realidade!
Certas constatações causam revolta, mas o Senhor Deus deixou tudo previsto com exatidão, nos preparando para que não nos assustássemos com o comportamento da humanidade dali para o futuro… cada vez mais perfeitamente como em nossos dias:

“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.
E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.
Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade;
Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;
Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Romanos 1:22–32)

Duvido que tenha sido capaz de ler isso tudo, pois imagino o sentimento diabólico que já deve ter começado a consumí-lo… aquela vontade de falar, de dar uma resposta genial, de humilhar quem ousa falar contra sua escolha (note: nunca contra você!)… coitado do apóstolo Paulo por ter escrito a passagem acima, não?
Eu, aqui, calmamente lendo e relendo isso tudo muitas e muitas vezes, só gostaria de destacar a última frase dessa passagem: não só os que praticam tais coisas são dignos de morte, mas até mesmo OS QUE CONSENTEM COM SUA PRÁTICA!!
Sim! Infelizmente as mamães modernas que querem passar por cima dos pecados filiais estão incorrendo nas mesmas condenações que seus “bebês” amados: com seus corações partidos, algumas morrerão sem nunca admitir isso…
Os jovens que se dizem cristãos e, ainda assim, não condenam os pecados dos amigos?!? Dignos de morte, sem exceção…

Astilbes

E os pastores?!
Entre esses então há os que se calam e, por exemplo, permitem que alguns astilbes rodopiem entre suas rosas dançarinas — como se a dança, mesmo sem ser pecado, pudesse fazer parte do culto racional — e (fingindo amor ou para não perder dinheiro) se juntam ao modelo de culto inicialmente prestado por Nadabe e Abiú ou, dadas as características sociais de nossos dias, à insossa oferta vegetariana oferecida por Caim, cujo final foi o decreto de morte para Abel e voltará a ser para todo aquele que decidir, sem invenções nem inovações, apenas cumprir o que Deus deixou determinado…
Piores que esses, se é que pode haver pior, estão os que incentivam abertamente as práticas pecaminosas, emulando uma erudição que revolucionaria as Sagradas Escrituras e abriria as portas do reino para todos os que praticam os atos cuja condenação é inevitável:

“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (1 Coríntios 6:9–10)

Todos os que praticam os atos constantes na lista acima estão excluídos de sua herança do reino de Deus… e se não estiverem, quem vai querer a herança de um Deus mentiroso?!?
A questão é que o tipo demoníaco de pastor que prega o arrombamento das portas do reino encontra dupla referência a si próprio nas profecias:

“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” (2 Coríntios 11:13–15)

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (2 Timóteo 4:3–4)

Aqui sinto a necessidade de destacar que alguns desses “doutores” talvez tenham começado a criar suas teorias apenas para, inicialmente, coçar seus próprios comichões — muitas vezes em locais bastante mais obscenos e mal cheirosos do que os ouvidos — e, dada a amplitude da degradação da humanidade, acabaram tendo suas aberrações transformadas em doutrinas e eles próprios elevados à condição de líderes…
Enfim, eu já conhecia as heresias demoníacas do “pedra contente” bem antes de saber que foi ele quem celebrou seu “noivado”, de homem com homem…

Conclusão

Você alega que sou um exemplo para sua vida, mas tudo indica que falhei miseravelmente nesse sentido… e não vai ser agora, que já tem idade mais do que suficiente para sustentar suas escolhas, que alguma atitude drástica vai surtir efeito.
Eu sou exatamente o mesmo que te abraçou, que tentou te alegrar, que cantou e dançou contigo, mas também sou o sacerdote do meu lar (aliás, dois lares, já que no outro estão as minhas velhas) e, como marquei no início do texto, amo ao Senhor Deus sobre TODAS e QUAISQUER outras coisas, sem exceção!
Meu coração está esfacelado.
Minha tristeza é tão grande que fugi no dia do meu aniversário, assim como tenho fugido de quaisquer reuniões onde o par de homens esteja junto e eu tenha de consentir com tal ato: nunca consenti com adúlteros, nunca consenti com ladrões e, fora as brincadeiras, sempre odiei os mentirosos, de modo que vou reconhecendo minhas falhas e tentando me aperfeiçoar a cada dia… no mundo e na rua a lei me obriga a conviver; no sagrado âmbito de meu lar, ninguém pode impor o pecado sem que eu resista e tente preservar os padrões bíblicos tradicionais.

Não quero ouvir sua resposta, não quero ouvir seu argumento (porque social e judicialmente você pode estar repleto, mas biblicamente… só deturpações que já analisei e refutei muito antes de você assumir e hastear essa bandeira) e muito menos estou com raiva de você.
Siga, sem minha concordância e sem nossa (a família da qual sou sacerdote) presença, pois se saber já me corta o coração, testemunhar iria ser parecido com o dia em que vi seu tio no caixão… e espero que ainda me respeite (e a sua tia… e especialmente a sua avó!) o suficiente para não querer esfregar sua escolha em nossas caras: na vida dos parentes que seguiram pela mesma trilha nós não tivemos sequer convivência o suficiente, mas você… você é família… e nós (eu especialmente)… nós fomos uns inúteis!
A lição que aprendi, como cristão, é que me cabe apenas pregar o evangelho sem mistura nem alegoria, pois não tenho poder algum… nem para salvar aqueles a quem amo…

Você é uma pessoa maravilhosa.
Sua identidade foi preservada nesse texto e talvez nunca chegue a enviá-lo… não que eu tenha medo ou raiva de você, mas simplesmente detesto aquilo que te controla e escraviza tanto quanto odiei o adultério de meu pai e, mesmo assim, quando ele precisou, fui atender: VOU ESTAR AQUI SE VOCÊ PRECISAR, mas não para discutir ou muito menos ser alvo de seu magistral sarcasmo.
Nós te amamos. Você é adulto, respeito suas escolhas e espero que, igualmente, respeite meu posicionamento “retrógrado” de cristão bíblico e sacerdote do meu lar.
Perdão pelos pontos onde eu possa haver falhado contigo.
Viva feliz.

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