Dias Estranhos

Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.
(Efésios 6:13)

Passamos, aqui no Brasil, por dias incomuns.
Estamos reencontrando uma escassez de coisas como não víamos há mais de 30 anos e muitos viventes sequer tiveram experiências parecidas em suas existências.
Sem generalizar, mas falando da maioria: temos agora uma geração de “corpos sarados” preenchidos por almas flácidas e envenenadas!

Hoje resolvi envolver a família inteira num exercício leve de simulação para a crise absoluta: eu, a esposa, a filha de quase 5 anos e o menino, com 1 e de carrinho, fomos a pé, por cerca de 2 quilômetros, até o mercado e voltamos, com as pequenas compras no carrinho e o bebê grudado em mim por um “canguru”… quase 4 quilômetros de caminhada, em família e com carga, pela primeira vez na vida!
Posso considerar a experiência bem sucedida, mas ocorreram coisas que me pediram uma reflexão posterior maior… e eis-nos aqui, eu e você, caro leitor, para conversar nessa carta!

DIAS TRABALHOSOS… AÍ VEM ELES!!!

Não sei vocês, mas até já estou acostumado a, na falta de uma determinada marca, buscar por outra do mesmo produto… só que, dessa vez, não tinha nada: nem a marca de boa, muito menos a de pior qualidade!!! Há muito, muito tempo que eu não via gôndolas vazias nem no mercadinho da esquina, quanto mais num hipermercado… e esta é a primeira coisa sobre a qual quero estender o raciocínio: a completa ausência de alguns produtos nas prateleiras, destacadamente pães e ovos…

Mas o que há para pensar nisso?
Ora, fomos acostumados a ser parte da chamada “sociedade de consumo”, onde todas as conveniências e produtos estão, desde que paguemos o preço, sempre disponíveis.
Cristãos como eu então, que vivem falando sobre o “princípio das dores” e alertando sobre os “dias trabalhosos”, deveriam estar mais do que preparados para passar por situações como essa, não é mesmo?
Pois é… não estou.
Dependo demais dos mercados para comprar alimentos e comer; sou escravo dos postos para comprar combustível e me locomover; nem consigo imaginar o que faria se, de súbito, cortassem o fornecimento de energia elétrica… o que seria dos alimentos estocados na geladeira? E as comunicações?!?
Algum de vocês já tem sua pequena propriedade rural, afastada dos centros urbanos, com nascente de água potável e para geração de energia, criação de peixes e galináceos, plantação de verduras e legumes e uma despensa devidamente estocada de produtos não perecíveis? Uma estrutura como essa não se monta com rapidez…
De que adianta ter um emprego de destaque e um bom salário — o que não é o meu caso — se não é possível romper os grilhões que te escravizam a esse imprevisível e altamente manipulável modelo de completa dependência de fatores absolutamente alheios aos nossos planos e controle?

Sim, devemos viver na dependência d’O Senhor e sujeitos à Sua vontade Soberana, mas hoje, diante daquelas gôndolas vazias, eu percebi o quão desprevenido estou e que se coisas ruins como as consequências dessa greve (ou algum governo vermelho) passarem a ocorrer regularmente… vou precisar de mais sabedoria e doses maciças de Graça para não perecer!

FOMOS AO CAIXA

E, por estarmos carregando o menino, nos dirigimos ao único caixa preferencial que estava aberto, porém um homem forte, todo tatuado e vestido de preto, se lançou na nossa frente.
Pouco depois veio a mulher — também avantajada, tatuada e de preto — trazendo dois carrinhos completamente cheios — um de compras e outro com um saudável e alegre menino com seus oito ou nove anos.
Não havia criança de colo. Não havia idoso. Não havia deficiente… eram apenas aqueles três jovens, belos e saudáveis seres humanos achando que as regras do universo deveriam se subverter perante sua existência!

O homem permaneceu o tempo inteiro com o cenho cerrado, sem sequer olhar para quem estava ao redor… uma expressão de quem está prestes a puxar um revólver e dar um tiro no primeiro que questionasse sua atitude imprópria. A mulher e a criança conversavam, riam e brincavam, pois eram pessoas normais e, como tal, não tinham razão alguma para estar numa fila de prioridades.
Olhei com atenção suas tatuagens e roupas… eram roqueiros! Ora bolas, eu também ouço rock e, num país que chafurda na miséria do funk, até essa preferência musical indica que eles não eram pessoas ignorantes, fora que o volume e a qualidade de suas compras indicavam considerável poder aquisitivo… enfim, não deviam as pessoas como eles ser as primeiras a respeitar as leis e convenções estabelecidas visando uma sociedade melhor?

Enquanto minha mente dava voltas ao redor da petulância injustificável daquela família, uma senhorinha bem idosa e carregando um único saco de macarrão se posicionou atrás de nós na fila… aquela foi a deixa para eu liberar minha indignação! Falei bem alto:
 — Por favor! Com toda a certeza a senhora é prioridade! Como só tem uma coisa para pagar, pode passar a minha frente, pois tenho aqui uns onze volumes e um bebê… não um carrinho cheio nem uma criança grande!
Minha esposa ficou lívida e me deu um beliscão, perguntando entre os dentes se eu estava querendo arrumar confusão…

Não, eu não queria confusão, mas ordem e, acima de tudo, justiça.
Sou um desses tolos que tenta viver e praticar as coisas conforme permite o bom senso e tenho ilusões de que as pessoas podem corrigir suas atitudes errôneas… tenho tanta expectativa acerca disso quanto de que um pecador possa se arrepender de seus pecados… e às vezes acontece, não é mesmo?

Agora, de cabeça fria, reconheço que me arrisquei: poderia ter causado confusão e, pior, até levado um tiro, mas me resta a indignação de que as pessoas que se esforçam para agir corretamente têm de se calar e engolir a empáfia de qualquer desordeiro com cara fechada!
Essa é a regra de uma nação onde as pessoas são criadas para pensar que seu umbigo é o centro do universo e que tudo de bom tem a obrigação de ser seu, sob o risco de decepção caso tudo não ocorra do jeitinho minucioso que formulou em seus sonhos…
Gente com determinação para frequentar academias, baladas… e até marchas para G-zuz, mas incapaz de sustentar uma discussão através de argumentos, sem tornar o fato pessoal, sem lançar mão de gritos, ofensas ou ameaças…
Gente que crê que as regras do mundo devam ser curvadas, torcidas e abolidas… só para ela: prioridade nas filas (mesmo sem a necessidade), semáforos sempre verdes (mesmo que vermelhos), fluidez no trânsito (mesmo que dando fechadas), velocidade máxima (mesmo que arriscando vidas)… evangelho distorcido (mesmo que o destino continue sendo o mesmo inferno para onde vão todos os pecadores que não frequentam empresas eclesiásticas coçadoras de comichões nos ouvidos e em outras partes menos expostas do corpo).

Não podemos mais cobrar de ninguém o bom comportamento e muito menos chamar pecado de pecado: é politicamente incorreto!
Na verdade, com base em enganos históricos (alguns que desmascarei em “Os Prostíbulos da Ira”), querem que as pessoas de bem, especialmente os cristãos, se calem e se curvem perante a arrogância maligna dos que tem audácia para cometer os erros… em breve pretendo revisar, atualizar e republicar “O Termômetro do Fim”, um texto escrito em 2005 que parece mais atual que o jornal de amanhã, se confirmando com mais exatidão a cada dia!

Saímos do mercado para nossa caminhada de volta para casa ainda a tempo de ver aquele homem colocando as compras em sua SUV, dessas caríssimas e estalando de novas…
Lembra daquela fazendinha com água potável e abundância de recursos para sobrevivência que mencionei no primeiro tópico? Não duvido nada que um energúmeno desses seria capaz de tentar tomá-la, mesmo que tendo de executar minha família e quem mais lá estivesse… justamente por esse comportamento apresentado numa simples fila de prioridade.
É em momentos como esse que eu quase consigo compreender um pouco do ranço esquerdista em relação aos mais abastados, mas aí vejo todo o desconforto que só uma “grevezinha” já está causando e volto a detestar o modelo vermelho, afinal, pessoas de mau caráter estão por todos os lugares, seja na esquerda, seja na direita!

Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios.
O Senhor conhece os dias dos retos, e a sua herança permanecerá para sempre.
Não serão envergonhados nos dias maus,
e nos dias de fome se fartarão.
(Salmos 37:16, 18 e 19)

QUEM É VOCÊ NA FILA DO PÃO?

Enfim…
Eu podia ter xingado, eu podia ter empurrado, eu podia ter exigido a presença do segurança e criado a maior confusão, mas estou aqui, tranquilinho, escrevendo e querendo tanto levá-los á reflexão quando ansioso por ler os comentários de meus leitores!
Não sou o dono da verdade, mas estou certo de que tenho muita coisa boa — capaz de auxiliar e esclarecer pessoas — para publicar.

Preciso MUITO de sua colaboração e, no momento, você só pode fazer isso ao “aplaudir” as publicações, divulgar através de compartilhamentos e, principalmente, seguir a revista digital e colaborar para aumentar o número de seguidores.

Obrigado pela atenção e que o Senhor continue nos protegendo, abençoando e dando tanto paciência quanto resiliência para superar esses dias tão estranhos.

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