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MAIS FÁCIL QUE FAZER SESSÕES PARA BEBÊS !

Tem­po esti­ma­do de lei­tu­ra : 6 min

Só quem ver­da­dei­ra­men­te não é capaz de ouvir pode saber a gama de pri­va­ções que nos exclui de ati­vi­da­des que tão banais e essen­ci­ais como ouvir músi­ca, dan­çar… há casos em que nem mes­mo recur­sos tec­no­ló­gi­cos — como as pró­te­ses audi­ti­vas e os implan­tes cocle­a­res — são sufi­ci­en­tes para garan­tir a ple­na aces­si­bi­li­da­de a coi­sas que, sem dúvi­da, pode­ri­am pro­mo­ver bem estar e, con­se­quen­te­men­te, a saú­de psi­co­ló­gi­ca de quem foi aco­me­ti­do pela surdez.

Ao con­trá­rio de minha últi­ma pos­ta­gem e ape­sar do títu­lo reme­ter dire­ta­men­te à clás­si­ca can­ção “Cine­ma Mudo”, dos Para­la­mas do Suces­so (que eu para­fra­se­a­ria, na ver­são sur­da, como “Micro­fo­nes em Reces­so”), não vou falar de músi­ca hoje, mas de outra den­tre minhas ati­vi­da­des pre­fe­ri­das nes­ta exis­tên­cia : ir ao cinema !

Aqui em casa nos tor­na­mos pais em 2013 e só podía­mos ir ao cine­ma se alguém se dis­pu­ses­se a ficar com a meni­na ou, pior ain­da : quan­do o fil­me era algum dos que eu con­si­de­ra­va imper­dí­veis, aca­ba­va dei­xan­do tudo enga­ti­lha­do e, após a cri­an­ça dor­mir… par­tia sozi­nho (e, sem dúvi­da, cheio de remor­so) para assis­tir algu­ma últi­ma ses­são.
Mas antes mes­mo que a bebê com­ple­tas­se seu pri­mei­ro ani­ver­sá­rio minha espo­sa des­co­briu o mara­vi­lho­so Cine­ma­ter­na, que pro­mo­ve ses­sões espe­ci­ais de cine­ma, com con­di­ções ade­qua­das à pre­sen­ça até de recém-nascidos !

Ape­sar de ter ape­nas admi­ra­ção e elo­gi­os ao pro­je­to, infe­liz­men­te não pos­so me ater rea­li­zan­do sua divul­ga­ção, ain­da mais por­que não me adi­an­ta mais ape­nas ser uma das ses­sões do pro­je­to, pois após ter sido colhi­do pela sur­dez pro­fun­da eu aca­bei pas­san­do a ter neces­si­da­de extre­ma de, se qui­ser mes­mo ter com­pre­en­são do fil­me, assis­tir ape­nas às exi­bi­ções legen­da­das.
Eu até ten­tei, apro­vei­tan­do as féri­as das cri­an­ças, assis­tir alguns dese­nhos ani­ma­dos dubla­dos, mas ao invés de me ale­grar com, por exem­plo, “Wifi Ralph”… aca­bei sain­do até meio depres­si­vo, por ter per­di­do pelo menos meta­de das pia­das.
Antes dele tinha ten­ta­do tam­bém “O Grin­ch”, mas como não esta­va com uma gran­de expec­ta­ti­va por ele, não liguei mui­to por ter per­di­do uns 70% do que foi dito e me con­ten­tei por ir com­pre­en­den­do a men­sa­gem visual.

Cause Impacto no Trabalho
INFORMAÇÃO INCLUSIVA PARA USAR NO ESCRITÓRIO

A ques­tão é que com­ple­tei três meses des­sa incô­mo­da sur­dez pro­fun­da ontem, 04 de feve­rei­ro, e fora a ari­dez emo­ci­o­nal por não con­se­guir dife­ren­ci­ar músi­ca de ruí­do, não vi nenhu­ma boa pro­pos­ta para a inclu­são de sur­dos aos cine­mas e, dado o acen­tu­a­do declí­nio edu­ca­ci­o­nal ocor­ri­do no país no decor­rer das duas últi­mas déca­das, as exi­bi­ções legen­da­das estão sen­do rele­ga­das às últi­mas ses­sões… isso se che­gam a ser exi­bi­das, pois a hor­da de anal­fa­be­tos fun­ci­o­nais — seres inca­pa­zes de ler as letri­nhas que “pas­sam rápi­do demais” ou de sequer com­pre­en­der, de fato, a sequên­cia lógi­ca do que está escri­to, a des­pei­to das ima­gens cor­re­la­ti­vas esta­rem sen­do exi­bi­das simul­ta­ne­a­men­te e logo atrás — cres­ce a cada dia e, afi­nal de con­tas, são estas as cri­a­tu­ras nume­ro­sas o sufi­ci­en­te para lotar as salas.

Ten­do entra­do e atu­a­do nas comu­ni­da­des de sur­dos ora­li­za­dos há algum tem­po, pude cons­ta­tar que essa fal­ta tam­bém é sen­ti­da por outras pes­so­as em diver­sos luga­res do Bra­sil, espe­ci­al­men­te em rela­ção às pro­du­ções naci­o­nais !
Qual a van­ta­gem de se espe­rar para com­prar um DVD para assis­tir na tele­vi­são de casa quan­do todo mun­do que foi ao cine­ma, viu na tela gran­de e já te con­tou spoi­lers até não poder mais ?
Onde está a emo­ção por assis­tir algo velho, numa sala alter­na­ti­va ? Por mais que a obra seja inte­res­san­te, aca­ba se pare­cen­do mais com uma ati­vi­da­de cul­tu­ral para­le­la do que com uma legí­ti­ma ida ao cine­ma !
Da mes­ma for­ma, é cla­ro que fil­mes cul­tu­rais pro­du­zi­dos com fina­li­da­des didá­ti­cas e soci­ais têm seu valor, mas a dife­ren­ça entre eles e as comé­di­as, os roman­ces, os dra­mas, as inves­ti­ga­ções, os sus­pen­ses e tudo mais que cor­re no gran­de cir­cui­to… é abissal !

MINHA PROPOSTA

Ora, cri­ar uma orga­ni­za­ção — em mol­des para­le­los à que foi cita­da no iní­cio des­se tex­to — com obje­ti­vo de aten­der aos sur­dos aca­ba reque­ren­do bem menos con­di­ções espe­ci­ais do que para mães de neo­na­tos e cri­an­ças peque­nas. Faça­mos uma com­pa­ra­ção prática :

Nós não pre­ci­sa­mos de volu­me redu­zi­do, ar con­di­ci­o­na­do espe­ci­al­men­te regu­la­do, tape­ti­nhos, tro­ca­do­res de fral­das e mui­to menos ambi­en­te ilu­mi­na­do ! Além dis­so a gen­te dis­pen­sa salas com som espa­ci­al (tipo X‑Plus ou coi­sa seme­lhan­te) e como a mai­o­ria dos fil­mes naci­o­nais não usa recur­so 3D… a gen­te só pre­ci­sa mes­mo é de uma sali­nha gos­to­sa que se pro­po­nha a rea­li­zar uma ses­são legen­da­da dos fil­mes que comu­men­te não têm legen­das e ain­da estão em car­taz : nem have­ria neces­si­da­de de uma ses­são fecha­da — qual­quer um que qui­ses­se com­prar ingres­so pode­ria entrar, cien­te de que aque­la ses­são teria a par­ti­cu­la­ri­da­de de ser legen­da­da — e mui­to menos de ocor­rer no dia de estreia !

Como bom nerd ciné­fi­lo, sei bem que tudo o que nas­ce gigan­te é mons­tro, pode­ría­mos come­çar o pro­je­to rea­li­zan­do ses­sões nas mai­o­res capi­tais e, medi­an­te divul­ga­ção do pro­je­to e aumen­to do inte­res­se, irmos expan­din­do gra­du­al­men­te o alcan­ce : em vez de pre­ci­sar pelos fes­ti­vais de aces­si­bi­li­da­de, geral­men­te anu­ais, pode­ría­mos estar tor­nan­do o ato de ir ao cine­ma rela­ti­va­men­te mais coti­di­a­no aos sur­dos oralizados.

Notem que até ago­ra falei ape­nas de legen­das e todos têm cons­ci­ên­cia de que isso aten­de prin­ci­pal­men­te aos sur­dos ora­li­za­dos, mas, pela faci­li­da­de de exe­cu­ção, seria a carac­te­rís­ti­ca da pri­mei­ra fase do pro­je­to : num segun­do momen­to pode­ría­mos pla­ne­jar exi­bi­ções sem legen­das e exclu­si­vas, com LIBRAS, aos sur­dos sina­li­za­dos.
Ain­da não tive tem­po nem recur­sos para me dedi­car ao apren­di­za­do des­sa impor­tan­te lín­gua, mas já cons­ta­tei que mui­tos outros sur­dos ora­li­za­dos tam­bém não : a pre­sen­ça simul­tâ­nea de um tra­du­tor de LIBRAS e de legen­das numa mes­ma tela aca­ba ocu­pan­do espa­ço demais e não fica bom para nin­guém !
Uma de minhas idei­as seria a de que pro­fis­si­o­nais tra­du­to­res tives­sem aces­so (antes da ses­são espe­ci­al, nun­ca antes do lan­ça­men­to) à obra e pudes­sem ir nar­ran­do, pre­sen­tes e ao vivo, o que fos­se ocor­ren­do na tela… será que daria certo ?

PARCERIAS

Ora, creio que as pri­mei­ras enti­da­des a se inte­res­sar por essa pro­pos­ta deve­ri­am ser as fabri­can­tes de AASIIC : dian­te dos anti­pá­ti­cos valo­res cobra­dos por seus pro­du­tos, mos­trar um pou­co de aten­ção por seus con­su­mi­do­res cer­ta­men­te iria reves­tir o som do nome de suas mar­cas com um pou­co mais de simpatia.

Os par­cei­ros seguin­tes seri­am as pró­pri­as redes de cine­mas e tam­bém os shop­ping cen­ters : cri­ar uma úni­ca ses­são legen­da­da por fil­me por loca­li­da­de seria uma ope­ra­ção de cus­to irri­só­rio, porém iria reve­lar o inte­res­se da mar­ca em pro­por­ci­o­nar a aces­si­bi­li­da­de e pro­mo­ver a inclu­são dos sur­dos no cir­cui­to cul­tu­ral e de entre­te­ni­men­to… qual o tama­nho do retor­no soci­al des­sa iniciativa ?

Os par­cei­ros oca­si­o­nais seri­am as lojas espe­ci­a­li­za­das locais, rela­ci­o­nan­do-se ou não com os fabri­can­tes, que pode­ri­am for­ne­cer mimos — como, por exem­plo, potes com síli­ca desu­mi­di­fi­ca­do­ra ou kits de lim­pe­za — a serem sor­te­a­dos após as ses­sões, com garan­ti­as de poder exi­bir sua mar­ca no aces­so à sessão.

METAS

Sen­do se uma sin­ce­ri­da­de extre­ma, admi­to que chu­pei as metas da orga­ni­za­ção que me ins­pi­rou e adap­tei às nos­sas necessidades :

  1. Res­ga­te soci­al do sur­do atra­vés da cultura ;
  2. Incen­ti­var a tro­ca de expe­ri­ên­ci­as entre sur­dos sobre as diver­sas ques­tões da sur­dez, sem­pre com o intui­to de difun­dir a cultura ;
  3. Pro­mo­ver o escla­re­ci­men­to e o conhe­ci­men­to de temas, pro­du­tos e equi­pa­men­tos rela­ci­o­na­dos à sur­dez, assim como aumen­tar a visi­bi­li­da­de des­sa comu­ni­da­de e a infor­ma­ção sobre suas neces­si­da­des em particular.

Será que tá bom ?

QUEM AJUDA ?

O autor des­se tex­to é cheio das ideias…

Me per­do­em pela sin­ce­ri­da­de, mas sou obri­ga­do a repe­tir que não vi nin­guém nem che­gan­do per­to de pro­por algo pare­ci­do com isso e, sim, FAÇO QUESTÃO ABSOLUTA DE PARTICIPAR DE CADA PASSO DESSE PROCESSO e essa publi­ca­ção em si mes­ma já é meu regis­tro de auto­ria do projeto.

Você se ani­mou com a ideia ?
Que tal come­çar indo ali em cima e cur­tin­do essa publi­ca­ção ?
Depois vá até pági­na da Loja para Sur­dos Ora­li­za­dos e cur­ta também !

Quer aju­dar a trans­for­mar esse sonho em rea­li­da­de ?
Sin­ta-se à von­ta­de para com­par­ti­lhar e envi­ar o link des­sa publi­ca­ção para quem você qui­ser, espe­ci­al­men­te no caso de se tra­tar de algum dos par­cei­ros em poten­ci­al citados !

Tem suges­tões ? Crí­ti­cas cons­tru­ti­vas?!
Por favor, não dei­xe de comentar.

Enfim, idei­as vêm e ain­da tenho expec­ta­ti­vas que “Toda For­ma de Sur­dez” alcan­ce as mil cur­ti­das para poder virar vide­o­cli­pe… quem sabe não con­si­ga ser exi­bi­do em algu­ma des­sas ses­sões, antes do fil­me principal ?

Me dá um “joi­nha”?
Gos­tou ? Me aju­de compartilhando…

Geovane Souza

Já fiz e faço tantas coisas que só criando um site para concentrar e apresentar essa variedade.

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