A curva chegou!

A Balada do Violento

CHEGOU A CURVA ONDE EU IA TE PEGAR…

Não viu nada especial nela, mas foi em frente
Casou porque era normal casar
Era um xucro sem respeito… nem pelo próprio matrimônio
Foi pondo filhos no mundo porque a programação da TV era chata quando não estava passando futebol
O tempo foi majorando o incômodo dos tantos percalços que atrapalhavam sua tranquilidade
As crianças, inocentes flagelos, eram motivo de discussões vulcânicas onde o sangue pulsava na garganta
Até que um dia, por um motivo bobo como um copo de cerveja quebrado pela filha mais velha (que nem tinha cinco anos), perdeu as estribeiras e a mulher pulou na frente para impedir que espancasse a criança… e acabou ela própria sendo o saco de pancadas aquela noite.

Aquilo não era um lar, mas um castelo de ira e medo
O “rei” impunha sua tirania a troco de humilhação: se estavam comendo era porque ele era o provedor… respeitem o rei!!!
Bebia e traía cada vez mais… será que houve sentimento algum dia?
Ofendia, humilhava, assediava…
Até seu corpo, cheio de sebo pela falta de higiene, causava mal estar fedendo a suor e álcool…
Sua patente degradação foi coroada com a demissão
(Talvez não tenha nem sido culpa dele, pois o estaleiro faliu…)
Vieram os bicos, aumentou o cansaço e piorou o inferno
Acho que a única coisa que ele amava era o fluminense, pois até hoje não sei se ele chegou a abusar ou não do penúltimo filho, aquele a quem fazia questão de ficar chamando de “viadinho”…
A esposa deixou de se submeter às suas safadezas fedorentas e, uns tempos depois, o berne abandonou o navio.

AGORA

Hoje, enquanto almoçava, assisti TV: falavam sobre os velhinhos abandonados em um asilo
Seres quase angelicais e cheios de candura
Largados ao destino incertos por seus cruéis familiares
A repórter andava dentro daquele pardieiro e o câmera ia focando nas expressões, especialmente nos olhos dos idosos
Até que de repente o sabor sumiu em minha boca quando reconheci os olhos daquele desgraçado!
Lembrei do Natal que ele, antes mesmo de casar, estragou… e eu tinha só cinco anos!
Lembrei dele tentando estuprar a cunhada, ofendendo a sogra, o sogro, os cunhados, até a avó da esposa!!!
Lembrei do filho que ainda estava dentro da barriga da mulher e que ele matou de tanto socar…
Lembrei de cada perversidade que aquele cão imundo cometeu e, nesse instante, me veio a vontade de perdoar… sério!

Meu perdão consiste em fingir que não vi aquela figura sórdida
Meu perdão foi não sair dali para socar aquela cara até virar purê de sangue
Tenho certeza de que, assim como mais alguns ali, ele só parou de fazer perversidades porque não teve mais forças, pois se tivesse iria continuar ofendendo, estuprando, assediando… matando!
Acho que nem falar aquele diabo consegue mais, pois ficou chupando as gengivas com poucos dentes e rindo para a câmera, mas tenho certeza que sua vontade era a de gritar muitos palavrões ou… “fluminense” (?)
Meu perdão, ser odioso, é te deixar vivo envolto em suas próprias fezes

Fiquei com raiva daquela equipe de TV: bando de estúpidos capazes de querer comparar todos aqueles anciãos cheios de história com crianças em um orfanato… aliás, manobra parecida com a dos esquerdistas que constantemente comparam criminosos com fetos


E a vocês, leitores, peço duas coisas:
A primeira é que pensem bastante antes de acreditar em muitas dessas campanhas angelicais e cheias de boas intenções promovidas pela mídia
A segunda é que perdoem minha sinceridade, mas passado o ímpeto assassino… voltei a comer, escrevi esse texto e nunca mais quero pensar nisso.

Obrigado.

QUEM FALA O QUE QUER...