Agora, que já se passou um bom tempo após as Olimpíadas Rio 2016, acho que posso contar um pouco dos bastidores e de tudo o que vivi trabalhando nelas sem causar nenhuma crise institucional, escândalo ou coisa parecida… e ainda assim não deixará de ser uma história com emoção.
Notem bem que, por estar falando a partir de minhas próprias perspectivas e recheando com muitas imagens, não posso negar que pode acabar soando um pouco como “meu querido diário”, ainda mais porque muitos (mas não todos!) discursos politicamente corretos só têm me causado cada vez maior vontade de agir em oposição ao que estão tentando impor.
Meus Bastidores na Rio 2016
Mesmo tanto tempo após, vou tentar seguir uma ordem cronológica e esse texto é a continuação exata do que escrevi em abril de 2016 contando como consegui minha primeira carteira profissional para poder desempenhar esse, que foi o único emprego de “carteira assinada” de toda a minha vida: Líder Operacional Adjunto, Serviços do Evento; MDR, EVS – RC4 (Badminton)… e valeu muito, muito a pena, valeu para essa vida inteira!
O Desafio das Siglas: O que é MDR e EVS?
Por acaso você sentiu um desafio ao ver todas aquelas siglas?
Das primeiras vezes eu me senti absolutamente perdido!
Justamente por nunca ter sido funcionário de nenhuma outra empresa, até hoje não sei dizer se elas são largamente usadas no ambiente institucional ou se eram exclusivas do Comitê Olímpico, o fato é que os primeiros passos logo após a admissão foram justamente aulas de introdução a toda essa nova realidade com a qual passaria a conviver intensamente pelos cinco meses seguintes.

Fiquei particularmente entusiasmado com o último tópico da lista ao lado, pois passei pelo menos dez de meus vinte anos na Força Aérea Brasileira justamente cuidando das complexas escalas dos controladores de tráfego aéreo e senti que aquele sigla, “MDR“, nada mais era do que uma releitura do militar “adjunto operacional” e, sem querer parecer arrogante, tive a certeza de que chamaram o cara certo para aquele papel.
E O Tal do “EVS“?
Ora, essa é uma sigla quase óbvia para EVentoS… atividade na qual fui sofregamente acolhido e cujo desempenho me ajudou a curar quaisquer resquícios do transtorno ansioso depressivo e dos ocasionais episódios de síndrome de pânico que me consumiram ao longo dos meus últimos anos na Aeronáutica.
Para um homem que entre 2007 e 2009 mal conseguia ir às compras num mercado cheio sem que a esposa estivesse ao lado, a libertação do pavor da injustiça hierárquica aliada à responsabilidade de interação bilíngue em eventos corporativos e as centenas (ou até mesmo milhares) de pessoas neles presentes… foi um verdadeiro renascimento!
Não apenas sorri, mas tive que me conter para não dar um brado de alegria quando, através desse slide, fui finalmente apresentado ao que me convocaram para fazer.
A verdade é que fui chamado e contratado para realizar atividades exatamente como as que já vinha desenvolvendo por meia década e, sem dúvida, as que eu mais gostava de fazer em toda a minha vida!
A definição mais perfeita dessa situação: SOPA NO MEL!
Voluntários ou Remunerados?
Por respeito a muitos dos que comigo interagiram durante essa jornada, me sinto na obrigação de registrar que naquela época não teria a menor condição de realizar toda a rotina de atividades proposta de forma voluntária.
Sem dúvida que me sentiria ainda mais importante e heroico se tivesse feito dessa forma, mas ainda assim o fato de ter sido remunerado não anula a validade do meu relato.
Enfim, os EVS eram todos os “voluntários” — também por isso a explicação do parágrafo anterior — que usavam camisas verdes e tocavam fogo no mundo com seus megafones, cadeirões, mãozinhas infláveis… e essas eram apenas as coisas das quais as pessoas tinham a percepção imediata: nossa jornada era gratificante e bem mais complexa do que essa “ponta de iceberg”!
No Próximo Capítulo: A “Miami Tupiniquim”!
Minha intenção é justamente contar um pouco mais de toda essa jornada, mas esse texto acabou ficando um pouco técnico demais e já está se tornando meio extenso…
Por isso, te convido a voltar aqui outro dia e ler mais um capítulo da minha saga olímpica: a parte em que fui enviado para o MPC (Media Press Center) da Barra da Tijuca, a “Miami Tupiniquim”!

E você? Trabalhou nos jogos?
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