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PORQUE NÃO TENHOORGULHOALGUM DELE

Tem­po esti­ma­do de lei­tu­ra : 6 min

Alguns momen­tos de minha pri­mei­ra infân­cia fica­ram regis­tra­dos com per­fei­ção em minha memó­ria : o dia em que o “meu” gato não apa­re­ceu para comer os res­tos de comi­da que dei­xa­va sobrar no pra­to ; o dia em que a chu­va che­gou tão rápi­do que me pegou de sur­pre­sa no quin­tal ; o dia em que o des­gra­ça­do do meu cunha­do — que até hoje não enten­do como minha irmã mais velha esco­lheu aque­le tras­te e, sem dúvi­da, mere­ce­rá um capí­tu­lo à par­te — asse­di­ou sexu­al­men­te minha outra irmã e ain­da dis­se, entre outras obs­ce­ni­da­des, que eu seria via­do quan­do cres­ces­se ; o dia em que meu pai foi con­fron­ta­do por ter outra mulher e agar­rou a cabe­ça da minha irmã para ten­tar batê-la con­tra a qui­na do beliche…

São lem­bran­ças tão vívi­das quan­to o chei­ro de henê que me des­per­ta­va aos sába­dos pela manhã : lem­bro até do pirex —peça que resis­tiu por mais de 40 anos e seria his­tó­ri­ca no museu de minha vida…se minha filha de um ano não o tives­se espa­ti­fa­do há dois meses ! — onde elas pre­pa­ra­vam aque­la gos­ma ame­a­ça­do­ra — Sim ! Lem­bro exa­ta­men­te da fra­se “cui­da­do que vai te quei­mar!” e de estra­nhar como elas con­se­gui­am pas­sar no cabe­lo aque­le tro­ço que era tão insu­por­ta­vel­men­te quen­te na pon­ta dos meus dedos — cujo odor mar­can­te, ape­sar de ines­que­cí­vel, não dei­xou sau­da­de alguma.

Elas eram jovens, vai­do­sas para se sub­me­ter àque­le pro­ce­di­men­to… mas eu, filho caçu­la e tem­po­rão, além de não ver lógi­ca algu­ma naque­le ritu­al, odi­a­va até quan­do cis­ma­vam de me pen­te­ar : nenhum dos moti­vos que me ale­ga­vam (asseio, bele­za…) con­se­guiu — e isso até hoje ! — me fazer gos­tar, por um momen­to sequer, do mal­di­to cabe­lo pixaim com o qual nas­ci : o cabe­lo mais seco e cres­po de todos os filhos de Dª Nair !

Esse ódio capi­lar era ina­to, pre­sen­te des­de a épo­ca de minha mais pura ino­cên­cia, quan­do eu ima­gi­na­va que minha pri­ma Tânia, que estu­da­va medi­ci­na, um dia pode­ria fazer um “trans­plan­te capi­lar”: para mesu­rar o nível de minha ino­cên­cia, acho que essa pri­ma, loi­ra por sinal, foi uma das pri­mei­ras pai­xões de minha vida, pois quan­do ela che­ga­va em algum lugar onde eu esti­ves­se… eu cor­ria para me escon­der, até de bai­xo da cama ! Não sei expli­car a infan­ti­li­da­de que me aco­me­tia, mas des­con­fio que eu a acha­va tão boni­ta que fica­va enver­go­nha­do de estar per­to dela…

BARBEIRO

Era um ter­mo ater­ro­ri­zan­te, não pela tesou­ra, mas pelo pen­te que usa­va para “desem­ba­ra­çar” o mal­di­to cabe­lo ruim… lem­bro de um epi­só­dio em que, leva­do pela figu­ra randô­mi­ca de meu pai a um bar­bei­ro estra­nho, fui tão “esti­ca­do” que pas­sei o final de sema­na intei­ro com dores de cabe­ça for­tís­si­mas, ten­do até que tomar remé­dio pois (não sei o que aque­le car­ras­co fez com meu cou­ro cabe­lu­do, mas foi tão mau que) desen­ca­de­ou uma febre das fortes !

Devo ser bem velho, pois estou aqui ten­tan­do lem­brar e só me recor­do da apa­ri­ção da faci­li­ta­do­ra “máqui­na” já na minha ado­les­cên­cia… acho que nas­ci tão pobre que isso não foi comum na minha área… só sei dizer que quan­do pare­ceu que as coi­sas iri­am melho­rar, ao mes­mo tem­po, mal­di­ta puber­da­de, ocor­re­ram tam­bém as pri­mei­ras mani­fes­ta­ções de uma foli­cu­li­te crô­ni­ca agu­da que viria a me cau­sar mui­ta ver­go­nha, dor e des­con­for­to por bas­tan­te dos anos em que vivi !

Ah ! Não pen­sem que o diag­nós­ti­co, que entre­guei de mão bei­ja­da no pará­gra­fo ante­ri­or, foi coi­sa fácil : nas pri­mei­ras mani­fes­ta­ções, achou-se que seria algu­ma aler­gia à máqui­na do bar­bei­ro. Mais tar­de, leva­do ao pos­to de saú­de, fui tra­ta­do como se tives­se pso­ría­se e for­ça­do a con­vi­ver com esse diag­nós­ti­co paté­ti­co por mui­tos anos !

Até no pescoço!!!

Enfim : eram bolhas, como espi­nhas, que estou­ra­vam for­man­do feri­das na par­te tra­sei­ra de minha cabe­ça, des­de o “pé” do cabe­lo até lá no alto do “cocu­ru­to”. Quan­do aber­tas, as cha­gas atrai­am incon­ve­ni­en­tes mos­qui­nhas e eu pró­prio me sen­tia como se esti­ves­se apo­dre­cen­do, fora que todas as fro­nhas fica­vam sujas de san­gue enquan­to eu dor­mia. Quan­do fecha­das, as cas­qui­nhas cola­vam vári­os cabe­los em seu cor­po, dan­do um aspec­to falho, qua­se lepro­so… e foi des­se jei­to, como se o bullying pela gor­du­ra já não fos­se sufi­ci­en­te, que eu entrei na adolescência !

POBRE, IMATUROEXILADO

A opção mais comum era a car­rei­ra mili­tar : sem um pai em casa para apoi­ar um ensi­no mais avan­ça­do, minha irmã — cheia das pre­o­cu­pa­ções e num esfor­ço finan­cei­ro — me matri­cu­lou em um pré-mili­tar com 8ª série aos 13 anos e… isso é his­tó­ria para um outro dia, pois pre­to, pobre, mío­pe (fator ale­ga­do para repro­va­ção na EPCAR e no Colé­gio Naval, mes­mo ten­do pas­sa­do na pro­va de conhe­ci­men­tos) e com essa pere­ba na cabe­ça, aos 16 anos de ida­de pas­sei, sem “cotas”, no con­cur­so públi­co para a EEA­er, ten­do sido eman­ci­pa­do (e, por­tan­to, res­pon­sa­bi­li­za­do por meus pró­pri­os atos) des­de então.

E, como o assun­to aqui é cabe­lo, pas­sei dois anos “dri­blan­do” os rígi­dos padrões capi­la­res impos­tos a todos os alu­nos — não por dei­xar o cabe­lo mai­or, mas cor­tan­do ABAIXO, qua­se care­ca ! — e nun­ca, mas nun­ca ten­do usa­do nenhum dos tra­ves­sei­ros ou fro­nhas bran­cas for­ne­ci­dos e regu­lar­men­te vis­to­ri­a­dos como que­si­to de arru­ma­ção e orga­ni­za­ção dos alo­ja­men­tos : leva­va e tra­zia de casa, toda sema­na, uma “almo­fa­da de bata­lha”, cujo reves­ti­men­to imper­meá­vel evi­ta­va que o san­gue das cha­gas sujas­se qual­quer rou­pa de cama…

De Gua­ra­tin­gue­tá para Manaus — onde che­guei, abso­lu­ta­men­te órfão e ima­tu­ro, aos 18 anos — fui sobre­vi­ven­do aos tran­cos e bar­ran­cos, achan­do que, como meu irmão, tam­bém iria mor­rer naque­la cida­de : che­guei em agos­to e em dezem­bro já fiz meu pri­mei­ro pedi­do de trans­fe­rên­cia de vol­ta ao Rio de Janei­ro (deses­pe­ro que só foi aten­di­do 4 anos e meio depois). O fato é que, viven­do por obri­ga­ção pro­fis­si­o­nal na ter­ra onde meu irmão fora assas­si­na­do, eu sim­ples­men­te odi­a­va tudo e qua­se todos, viven­do numa infe­li­ci­da­de abso­lu­ta cuja frus­tra­ção me tor­na­va emo­ci­o­nal e soci­al­men­te alei­ja­do… somen­te após algum tem­po fui me dar con­ta do quan­to tudo isso cola­bo­rou para meu amadurecimento.

As, então, modes­tas dimen­sões da cida­de aca­ba­vam pro­mo­ven­do uma “cele­bri­za­ção” de qual­quer coi­sa que fos­se dife­ren­te : foi esse o meu caso quan­do, em junho de 1994, antes de qual­quer Ronal­di­nho ou Ale­xan­dre Fro­ta, fui entre­vis­ta­do pelo “A Crí­ti­ca” acer­ca do meu “esti­lo” revo­lu­ci­o­ná­rio, ten­do me tor­na­do capa da edi­ção de domin­go, com minha foto ten­do apa­re­ci­do jun­to às de gen­te como Patrí­cia Pil­lar e Edmun­do, o Animal :

Na ver­da­de, só vim a pas­sar máqui­na zero na cabe­ça intei­ra uns dois anos após minha for­ma­tu­ra, pois a “men­ta­li­da­de de alu­no” não foi facil­men­te supe­ra­da… prin­ci­pal­men­te por con­ta do des­pre­pa­ro de meu pri­mei­ro che­fe, um ofi­ci­al, tam­bém negro, que, para enfren­tar os pre­con­cei­tos que ele pró­prio sofria, se extre­ma­va na hie­rar­quia e, ape­sar de ter sido ami­go de meu fale­ci­do irmão, foi a segun­da das qua­tro figu­ras mais sebo­sas e anti­pá­ti­cas que per­me­a­ram minha car­rei­ra mili­tar : esse é um dos moti­vos pelos quais na notí­cia aci­ma apa­re­ce “locu­tor” ao invés de “con­tro­la­dor de trá­fe­go aéreo”…

Enfim, foi tam­bém duran­te esse exí­lio que cons­truí algu­mas das ami­za­des que vão per­du­rar pelo tem­po de minha vida e, para encer­rar o assun­to, dei­xo um vídeo cujo con­teú­do não é mais de minha intei­ra con­cor­dân­cia, mas que não pode­ria ficar de fora de um docu­men­to onde falo sobre “Manaus” e “cabe­lo”:

MINHA REDENÇÃO CAPILAR

Foram mui­tos anos de ver­go­nha pelas fro­nhas sujas de san­gue, de cons­tran­gi­men­to pelas mos­qui­nhas voan­do ao redor… na ver­da­de eu já tinha uma pers­pec­ti­va tão pés­si­ma de mim mes­mo que aguar­da­va ape­nas o dia em que aque­las feri­das iam, sei lá, cri­ar raiz, virar um cân­cer e che­gar até meu cérebro !

Mas então, por vol­ta de 2008, minha afi­lha­da-madri­nha de casa­men­to, Bru­na Pie­tro­na­ve, me pro­por­ci­o­nou um dos mai­o­res pre­sen­tes que já rece­bi de alguém nes­sa vida : atriz pro­fis­si­o­nal e ten­do atu­a­do na Glo­bo e na Record, na épo­ca tam­bém teve sua ima­gem uti­li­za­da em mate­ri­al pro­mo­ci­o­nal do Cen­tro Capi­lar Shei­la Bel­lot­ti, rece­ben­do o direi­to de um tra­ta­men­to com­ple­to e, gra­ci­o­sa­men­te, lem­brou de mim !

Tenho cer­te­za que a Drª Shei­la, que espe­ra­va tra­tar dos lin­dos cabe­los de uma atriz, deve ter se espan­ta­do quan­do, em subs­ti­tui­ção, che­guei eu e minha cabe­ça cheia de pere­bas ! Lem­bro per­fei­ta­men­te de minha pri­mei­ra con­sul­ta, quan­do ela uti­li­zou uma espé­cie de lune­ta para bater fotos de meu cou­ro cabe­lu­do — viu, entre outras coi­sas, que sai­am até OITO fios de cabe­lo atra­vés de um úni­co poro!! — e, após essa entre­vis­ta, me pediu para aguar­dar, pois esta­ria levan­do meu mate­ri­al para estu­do… na Alemanha!!

Fui con­vo­ca­do assim que ela retor­nou : o caso iria ser tra­ta­do com o uso de medi­ca­men­tos e isso, con­fes­so, não me ani­mou mui­to, pois eu já havia per­di­do a con­ta do tan­to de cre­mes, pas­tas, líqui­dos… tan­ta coi­sa que pas­sei naque­las cha­gas. Ela então me deu uma recei­ta for­mu­la­da pes­so­al­men­te pelo Dr. Azu­lay — que, ape­sar da minha abso­lu­ta igno­rân­cia, é reno­ma­do e res­pei­ta­do nos mei­os far­ma­cêu­ti­cos — a ser pro­du­zi­da em uma far­má­cia de manipulação.

Foi engra­ça­do, no dia seguin­te, entre­gar a recei­ta e ver as aten­den­tes tor­cen­do o nariz, cha­man­do pelos fun­ci­o­ná­ri­os mais anti­gos… até que, após algum tem­po, o res­pon­sá­vel veio até mim e dis­se que aque­la fór­mu­la não exis­tia. Fiz uma cara de tris­te e, lem­bro bem, quan­do men­ci­o­nei o nome “Azu­lay”, da mudan­ça de expres­são no ros­to daque­le homem : foi como se esti­ves­se entre­gan­do um desa­fio em suas mãos ! No final das con­tas, a solu­ção ficou pron­ta em sete dias, tinha um leve chei­ro de repo­lho e ardia bas­tan­te quan­do aplicada.

Hou­ve, de fato, uma sig­ni­fi­ca­ti­va melho­ra nas pri­mei­ras sema­nas e isso me dei­xou ani­ma­do como nun­ca, porém, antes mes­mo de meu pri­mei­ro retor­no para o acom­pa­nha­men­to, as feri­das abri­ram nova­men­te suas bocas e, a des­pei­to da ardên­cia do medi­ca­men­to, cres­ci­am per­cep­ti­vel­men­te… foi uma ver­da­dei­ra frustração.

Na segun­da con­sul­ta, lem­bro das refe­rên­ci­as de “aci­dez” e “alca­li­ni­da­de”, assim como de uma recei­ta que usa­ria até cin­zas em sua com­po­si­ção. Achei aqui­lo tudo bas­tan­te exu­be­ran­te, mas, desi­lu­di­do comi­go mes­mo, pro­pus um acor­do à Drª. Shei­la : eu segui­ria minu­ci­o­sa­men­te todo o tra­ta­men­to pro­pos­to, mas, se após um ano intei­ro, não hou­ves­sem resul­ta­dos… eu me sub­me­te­ria a uma depi­la­ção laser com­ple­ta em meu cou­ro cabe­lu­do ! Sem que­rer con­si­de­rar a pos­sí­vel falha do tra­ta­men­to, ela ficou cho­ca­da (pois creio que eu deva ter sido o pri­mei­ro lou­co a soli­ci­tar tal pro­ce­di­men­to) e dis­se, meio deso­la­da, “mas… você vai ficar careca…?”

Seguiu-se um ano intei­ro de tra­ta­men­to e, con­for­me ima­gi­nei de meu cabe­lo ruim, o qua­dro não se resol­veu, levan­do-me a ques­ti­o­nar quan­do come­ça­ri­am as ses­sões e qual seria o cus­to, obten­do um “aguar­de” como res­pos­ta : levan­do em con­ta a loca­li­za­ção pri­vi­le­gi­a­da da clí­ni­ca e sua cli­en­te­la este­lar, eu temia não dis­por dos pos­sí­veis valo­res pedi­dos pelas ses­sões. Em uma quin­ze­na ela me tele­fo­na e diz haver se reu­ni­do com seus sóci­os e que não pode­ria ceder a gra­tui­da­de, mas, por meu cabe­lo ser uma ques­tão mui­to além da sim­ples esté­ti­ca, que iria cobrar ape­nas um valor sim­bó­li­co… e, sem dúvi­da, assim o fez.

A roti­na das ses­sões men­sais era : che­gar lá, lavar a cabe­ça, colo­car bol­sas de gelo na área e… fogo!!! Sim, o chei­ro de pena de gali­nha quei­ma­da — só quem é das anti­gas, da épo­ca em que se mata­va e depe­na­va gali­nha no fogo lem­bra des­se fedor ! — toma­va con­ta do local e a dor do laser atin­gin­do tudo o que era úmi­do — vasos, vei­as, arté­ri­as… espe­ci­al­men­te essas das têm­po­ras ! — são lem­bran­ças inesquecíveis.

Sem dúvi­da algu­ma doeu… e doeu bas­tan­te ! Saía de lá pare­cen­do per­so­na­gem de fic­ção cien­tí­fi­ca e cor­ria para casa, para colo­car a cabe­ça debai­xo d’água fres­ca. Hou­ve uma oca­sião em que não con­se­gui con­ter as lágri­mas por tan­ta dor…

Ima­gem 01 — Ain­da no iní­cio da depi­la­ção a laser : repa­rem na par­te de trás de minha cabe­ça, ain­da com a car­ne espon­jo­sa e cheia de infla­ma­ções ! Ima­gem 02 — Como eu me sentia…

Por fim, após doze sofri­das ses­sões, foi con­cluí­da uma fase extre­ma­men­te sofri­da e ver­go­nho­sa de minha vida e, com imen­sa e ines­que­cí­vel gra­ti­dão tan­to à Bru­na quan­to à Drª. Shei­la e ao Dr. Pau­lo Coe­lho Jr., eu me tor­nei o care­ca mais feliz do mun­do !
(Foi dito que mais tar­de seria neces­sá­rio um “refor­ço” nas ses­sões de depi­la­ção a laser, para man­ter a care­ca lisa, mas, fora os escas­sos recur­sos, tenho con­vi­vi­do bem com a penu­gem que apa­re­ce, removendo‑a jun­to com os outros pelos no ato de barbear.)

ALGUM PROBLEMA ?

1. Depois de tudo o que pas­sei, ain­da res­tam três coi­sas que pos­so afir­mar em rela­ção a cabe­los :
Meu cabe­lo era, com­pro­va­da e ine­ga­vel­men­te RUIM… o pior do mun­do !
Me fez mal enquan­to exis­tiu natu­ral­men­te e não há quem pos­sa dizer o con­trá­rio.
Por­tan­to, quan­do vejo alguém osten­tan­do uma juba ou um ras­ta­fá­ri (moda tam­bém entre os bran­cos), só con­si­go pen­sar no tra­ba­lho que dá para man­ter esses mafuás… isso por­que, sem cui­da­dos, o tre­co tam­bém vai ficar nojen­to e fedi­do!!
Não é racis­mo ou qual­quer ter­mo que os segre­ga­ci­o­nis­tas pos­sam que­rer uti­li­zar : é a sim­ples e pura expe­ri­ên­cia de vida…

2. Acho que o trau­ma me levou a, por toda a minha vida, nun­ca haver me rela­ci­o­na­do com mulhe­res negras ou com cabe­los mais rebel­des : rea­li­zei meu sonho de casar com uma lou­ra — ex-mode­lo e tudo ! — e vi que cabe­los, mes­mo lisos, lou­ros e lin­dos, nun­ca seri­am coi­sa para mim, pois real­men­te dão tra­ba­lho ! Amo-os quan­do estão lá, esplen­do­ro­sos, na cabe­ça dela, mas não gos­to nem um pou­co quan­do os encon­tro se ajun­tan­do pelo chão, agar­ra­dos nos tape­tes, entu­pin­do ralos, enros­ca­dos na minha bar­ba… os pio­res apa­re­cem, clan­des­ti­nos, até no meio da comida!!

3. Minha filha tem, por cul­pa da minha gené­ti­ca, o cabe­lo bem menos pior que o meu, mas, ain­da assim, ruim. Minha espo­sa assu­miu seu des­pre­pa­ro e saiu pes­qui­san­do as melho­res for­mas de cui­dar de nos­sa bebê : téc­ni­cas como “Low poo”, “No poo”, uso de Kane­chom… é uma tare­fa difí­cil (na qual sou abso­lu­ta­men­te inca­paz de tomar par­te) cujo resul­ta­do aca­ba sen­do pou­co visí­vel nos pri­mei­ros anos e só desa­bro­cha­rá quan­do as madei­xas cres­ce­rem, porém eu sei que é bem fei­to por sem­pre haver sen­ti­do o quão chei­ro­so é o cabe­lo de minha bebê… sem­pre !
Dia des­ses fiquei indig­na­do com uns paren­tes que ouvi­ram dizer que a bebê não usa sham­poo e, por isso, dedu­zi­ram que os cabe­los dela esta­ri­am feden­do e até cau­san­do recla­ma­ções na esco­la !
Pior ain­da foi ouvir alguém dizen­do que se pegar a esco­va e desem­ba­ra­çar… eles vão ficar lisos!!
Em suma : não pre­ci­sa­mos de pre­con­cei­to e dis­cri­mi­na­ção raci­al que venham da rua, pois já temos o sufi­ci­en­te bro­tan­do, às vezes, den­tro da pró­pria família…

Me dá um “joi­nha”?
Gos­tou ? Me aju­de compartilhando…
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Geovane Souza

Já fiz e faço tantas coisas que só criando um site para concentrar e apresentar essa variedade.

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