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EDUCAÇÃORESPEITO SE TORNARAM ARTIGOS DE LUXO ?

Tem­po esti­ma­do de lei­tu­ra : 9 min

Por­tan­to, tomai toda a arma­du­ra de Deus,
para que pos­sais resis­tir no dia mau e, haven­do fei­to tudo, ficar firmes.

(Efé­si­os 6:13)

Pas­sa­mos, aqui no Bra­sil, por dias inco­muns.
Esta­mos reen­con­tran­do uma escas­sez de coi­sas como não vía­mos há mais de 30 anos e mui­tos viven­tes sequer tive­ram expe­ri­ên­ci­as pare­ci­das em suas exis­tên­ci­as.
Sem gene­ra­li­zar, mas falan­do da mai­o­ria : temos ago­ra uma gera­ção de “cor­pos sara­dos” pre­en­chi­dos por almas flá­ci­das e envenenadas !

Hoje resol­vi envol­ver a famí­lia intei­ra num exer­cí­cio leve de simu­la­ção para a cri­se abso­lu­ta : eu, a espo­sa, a filha de qua­se 5 anos e o meni­no, com 1 e de car­ri­nho, fomos a pé, por cer­ca de 2 quilô­me­tros, até o mer­ca­do e vol­ta­mos, com as peque­nas com­pras no car­ri­nho e o bebê gru­da­do em mim por um “can­gu­ru”… qua­se 4 quilô­me­tros de cami­nha­da, em famí­lia e com car­ga, pela pri­mei­ra vez na vida !
Pos­so con­si­de­rar a expe­ri­ên­cia bem suce­di­da, mas ocor­re­ram coi­sas que me pedi­ram uma refle­xão pos­te­ri­or mai­or… e eis-nos aqui, eu e você, caro lei­tor, para con­ver­sar nes­sa carta !

DIAS TRABALHOSOS VEM ELES!!!

Não sei vocês, mas até já estou acos­tu­ma­do a, na fal­ta de uma deter­mi­na­da mar­ca, bus­car por outra do mes­mo pro­du­to… só que, des­sa vez, não tinha nada : nem a mar­ca de boa, mui­to menos a de pior qua­li­da­de!!! Há mui­to, mui­to tem­po que eu não via gôn­do­las vazi­as nem no mer­ca­di­nho da esqui­na, quan­to mais num hiper­mer­ca­do… e esta é a pri­mei­ra coi­sa sobre a qual que­ro esten­der o raci­o­cí­nio : a com­ple­ta ausên­cia de alguns pro­du­tos nas pra­te­lei­ras, des­ta­ca­da­men­te pães e ovos…

Mas o que há para pen­sar nis­so ?
Ora, fomos acos­tu­ma­dos a ser par­te da cha­ma­da “soci­e­da­de de con­su­mo”, onde todas as con­ve­ni­ên­ci­as e pro­du­tos estão, des­de que pague­mos o pre­ço, sem­pre dis­po­ní­veis.
Cris­tãos como eu então, que vivem falan­do sobre o “prin­cí­pio das dores” e aler­tan­do sobre os “dias tra­ba­lho­sos”, deve­ri­am estar mais do que pre­pa­ra­dos para pas­sar por situ­a­ções como essa, não é mes­mo ?
Pois é… não estou.
Depen­do demais dos mer­ca­dos para com­prar ali­men­tos e comer ; sou escra­vo dos pos­tos para com­prar com­bus­tí­vel e me loco­mo­ver ; nem con­si­go ima­gi­nar o que faria se, de súbi­to, cor­tas­sem o for­ne­ci­men­to de ener­gia elé­tri­ca… o que seria dos ali­men­tos esto­ca­dos na gela­dei­ra ? E as comu­ni­ca­ções?!?
Algum de vocês já tem sua peque­na pro­pri­e­da­de rural, afas­ta­da dos cen­tros urba­nos, com nas­cen­te de água potá­vel e para gera­ção de ener­gia, cri­a­ção de pei­xes e gali­ná­ce­os, plan­ta­ção de ver­du­ras e legu­mes e uma des­pen­sa devi­da­men­te esto­ca­da de pro­du­tos não pere­cí­veis ? Uma estru­tu­ra como essa não se mon­ta com rapi­dez…
De que adi­an­ta ter um empre­go de des­ta­que e um bom salá­rio — o que não é o meu caso — se não é pos­sí­vel rom­per os gri­lhões que te escra­vi­zam a esse impre­vi­sí­vel e alta­men­te mani­pu­lá­vel mode­lo de com­ple­ta depen­dên­cia de fato­res abso­lu­ta­men­te alhei­os aos nos­sos pla­nos e controle ?

Sim, deve­mos viver na depen­dên­cia d’O Senhor e sujei­tos à Sua von­ta­de Sobe­ra­na, mas hoje, dian­te daque­las gôn­do­las vazi­as, eu per­ce­bi o quão des­pre­ve­ni­do estou e que se coi­sas ruins como as con­sequên­ci­as des­sa gre­ve (ou algum gover­no ver­me­lho) pas­sa­rem a ocor­rer regu­lar­men­te… vou pre­ci­sar de mais sabe­do­ria e doses maci­ças de Gra­ça para não perecer !

FOMOS AO CAIXA

E, por estar­mos car­re­gan­do o meni­no, nos diri­gi­mos ao úni­co cai­xa pre­fe­ren­ci­al que esta­va aber­to, porém um homem for­te, todo tatu­a­do e ves­ti­do de pre­to, se lan­çou na nos­sa fren­te.
Pou­co depois veio a mulher — tam­bém avan­ta­ja­da, tatu­a­da e de pre­to — tra­zen­do dois car­ri­nhos com­ple­ta­men­te chei­os — um de com­pras e outro com um sau­dá­vel e ale­gre meni­no com seus oito ou nove anos.
Não havia cri­an­ça de colo. Não havia ido­so. Não havia defi­ci­en­te… eram ape­nas aque­les três jovens, belos e sau­dá­veis seres huma­nos achan­do que as regras do uni­ver­so deve­ri­am se sub­ver­ter peran­te sua existência !

O homem per­ma­ne­ceu o tem­po intei­ro com o cenho cer­ra­do, sem sequer olhar para quem esta­va ao redor… uma expres­são de quem está pres­tes a puxar um revól­ver e dar um tiro no pri­mei­ro que ques­ti­o­nas­se sua ati­tu­de impró­pria. A mulher e a cri­an­ça con­ver­sa­vam, riam e brin­ca­vam, pois eram pes­so­as nor­mais e, como tal, não tinham razão algu­ma para estar numa fila de pri­o­ri­da­des.
Olhei com aten­ção suas tatu­a­gens e rou­pas… eram roquei­ros ! Ora bolas, eu tam­bém ouço rock e, num país que cha­fur­da na misé­ria do funk, até essa pre­fe­rên­cia musi­cal indi­ca que eles não eram pes­so­as igno­ran­tes, fora que o volu­me e a qua­li­da­de de suas com­pras indi­ca­vam con­si­de­rá­vel poder aqui­si­ti­vo… enfim, não devi­am as pes­so­as como eles ser as pri­mei­ras a res­pei­tar as leis e con­ven­ções esta­be­le­ci­das visan­do uma soci­e­da­de melhor ?

Enquan­to minha men­te dava vol­tas ao redor da petu­lân­cia injus­ti­fi­cá­vel daque­la famí­lia, uma senho­ri­nha bem ido­sa e car­re­gan­do um úni­co saco de macar­rão se posi­ci­o­nou atrás de nós na fila… aque­la foi a dei­xa para eu libe­rar minha indig­na­ção ! Falei bem alto :
 — Por favor ! Com toda a cer­te­za a senho­ra é pri­o­ri­da­de ! Como só tem uma coi­sa para pagar, pode pas­sar a minha fren­te, pois tenho aqui uns onze volu­mes e um bebê… não um car­ri­nho cheio nem uma cri­an­ça gran­de !
Minha espo­sa ficou lívi­da e me deu um belis­cão, per­gun­tan­do entre os den­tes se eu esta­va que­ren­do arru­mar confusão…

Não, eu não que­ria con­fu­são, mas ordem e, aci­ma de tudo, jus­ti­ça.
Sou um des­ses tolos que ten­ta viver e pra­ti­car as coi­sas con­for­me per­mi­te o bom sen­so e tenho ilu­sões de que as pes­so­as podem cor­ri­gir suas ati­tu­des errô­ne­as… tenho tan­ta expec­ta­ti­va acer­ca dis­so quan­to de que um peca­dor pos­sa se arre­pen­der de seus peca­dos… e às vezes acon­te­ce, não é mesmo ?

Ago­ra, de cabe­ça fria, reco­nhe­ço que me arris­quei : pode­ria ter cau­sa­do con­fu­são e, pior, até leva­do um tiro, mas me res­ta a indig­na­ção de que as pes­so­as que se esfor­çam para agir cor­re­ta­men­te têm de se calar e engo­lir a empá­fia de qual­quer desor­dei­ro com cara fecha­da !
Essa é a regra de uma nação onde as pes­so­as são cri­a­das para pen­sar que seu umbi­go é o cen­tro do uni­ver­so e que tudo de bom tem a obri­ga­ção de ser seu, sob o ris­co de decep­ção caso tudo não ocor­ra do jei­ti­nho minu­ci­o­so que for­mu­lou em seus sonhos…
Gen­te com deter­mi­na­ção para fre­quen­tar aca­de­mi­as, bala­das… e até mar­chas para Gezuz, mas inca­paz de sus­ten­tar uma dis­cus­são atra­vés de argu­men­tos, sem tor­nar o fato pes­so­al, sem lan­çar mão de gri­tos, ofen­sas ou ame­a­ças…
Gen­te que crê que as regras do mun­do devam ser cur­va­das, tor­ci­das e abo­li­das… só para ela : pri­o­ri­da­de nas filas (mes­mo sem a neces­si­da­de), semá­fo­ros sem­pre ver­des (mes­mo que ver­me­lhos), flui­dez no trân­si­to (mes­mo que dan­do fecha­das), velo­ci­da­de máxi­ma (mes­mo que arris­can­do vidas)… evan­ge­lho dis­tor­ci­do (mes­mo que o des­ti­no con­ti­nue sen­do o mes­mo infer­no para onde vão todos os peca­do­res que não fre­quen­tam empre­sas ecle­siás­ti­cas coça­do­ras de comi­chões nos ouvi­dos e em outras par­tes menos expos­tas do corpo).

Não pode­mos mais cobrar de nin­guém o bom com­por­ta­men­to e mui­to menos cha­mar peca­do de peca­do : é poli­ti­ca­men­te incor­re­to !
Na ver­da­de, com base em enga­nos his­tó­ri­cos (alguns que des­mas­ca­rei em “Os Pros­tí­bu­los da Ira”), que­rem que as pes­so­as de bem, espe­ci­al­men­te os cris­tãos, se calem e se cur­vem peran­te a arro­gân­cia malig­na dos que tem audá­cia para come­ter os erros… em bre­ve pre­ten­do revi­sar, atu­a­li­zar e repu­bli­car “O Termô­me­tro do Fim”, um tex­to escri­to em 2005 que pare­ce mais atu­al que o jor­nal de ama­nhã, se con­fir­man­do com mais exa­ti­dão a cada dia !

Saí­mos do mer­ca­do para nos­sa cami­nha­da de vol­ta para casa ain­da a tem­po de ver aque­le homem colo­can­do as com­pras em sua SUV, des­sas carís­si­mas e esta­lan­do de novas…
Lem­bra daque­la fazen­di­nha com água potá­vel e abun­dân­cia de recur­sos para sobre­vi­vên­cia que men­ci­o­nei no pri­mei­ro tópi­co ? Não duvi­do nada que um ener­gú­me­no des­ses seria capaz de ten­tar tomá-la, mes­mo que ten­do de exe­cu­tar minha famí­lia e quem mais lá esti­ves­se… jus­ta­men­te por esse com­por­ta­men­to apre­sen­ta­do numa sim­ples fila de pri­o­ri­da­de.
É em momen­tos como esse que eu qua­se con­si­go com­pre­en­der um pou­co do ran­ço esquer­dis­ta em rela­ção aos mais abas­ta­dos, mas aí vejo todo o des­con­for­to que só uma “gre­ve­zi­nha” já está cau­san­do e vol­to a detes­tar o mode­lo ver­me­lho, afi­nal, pes­so­as de mau cará­ter estão por todos os luga­res, seja na esquer­da, seja na direita !

Vale mais o pou­co que tem o jus­to, do que as rique­zas de mui­tos ímpi­os.
O Senhor conhe­ce os dias dos retos, e a sua heran­ça per­ma­ne­ce­rá para sem­pre.
Não serão enver­go­nha­dos nos dias maus,
e nos dias de fome se fartarão.

(Sal­mos 37:16, 1819)
… E QUEM É VOCÊ NA FILA DO PÃO ?

Enfim…
Eu podia ter xin­ga­do, eu podia ter empur­ra­do, eu podia ter exi­gi­do a pre­sen­ça do segu­ran­ça e cri­a­do a mai­or con­fu­são, mas estou aqui, tran­qui­li­nho, escre­ven­do e que­ren­do tan­to levá-los á refle­xão quan­do ansi­o­so por ler os comen­tá­ri­os de meus lei­to­res !
Não sou o dono da ver­da­de, mas estou cer­to de que tenho mui­ta coi­sa boa — capaz de auxi­li­ar e escla­re­cer pes­so­as — para publicar.

Obri­ga­do pela aten­ção e que o Senhor con­ti­nue nos pro­te­gen­do, aben­ço­an­do e dan­do tan­to paci­ên­cia quan­to resi­li­ên­cia para supe­rar esses dias tão estranhos.

Me dá um “joi­nha”?
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    Sha­re

Geovane Souza

Já fiz e faço tantas coisas que só criando um site para concentrar e apresentar essa variedade.

  • El Misionero Matsuura Junichiro disse:

    Devem ser head­ban­gers não-pra­ti­can­tes. No Whi­plash você encon­tra o sig­ni­fi­ca­do. Não deu pra colar o link aqui. Se bem que o ran­ço mai­or dos esquer­dis­tas é com a clas­se média. Com os super-ricos, a ques­tão é dife­ren­te, por­que vári­os deles são soci­a­lis­tas de IPhone.

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