Um sonho dos surdos oralizados

Cinema Surdo

MAIS FÁCIL QUE FAZER SESSÕES PARA BEBÊS!

Só quem verdadeiramente não é capaz de ouvir pode saber a gama de privações que nos exclui de atividades que tão banais e essenciais como ouvir música, dançar… há casos em que nem mesmo recursos tecnológicos — como as próteses auditivas e os implantes cocleares — são suficientes para garantir a plena acessibilidade a coisas que, sem dúvida, poderiam promover bem estar e, consequentemente, a saúde psicológica de quem foi acometido pela surdez.

Ao contrário de minha última postagem e apesar do título remeter diretamente à clássica canção “Cinema Mudo”, dos Paralamas do Sucesso (que eu parafrasearia, na versão surda, como “Microfones em Recesso”), não vou falar de música hoje, mas de outra dentre minhas atividades preferidas nesta existência: ir ao cinema!

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Refém Rebelde

INCLUSÃO TECNOLÓGICA DE SURDOS: DOR E DELÍCIA NUMA INDÚSTRIA DESUMANA

Há pouco mais de um mês passei pelo infortúnio de uma maior degradação em minha audição e isso me tornou ainda mais dependente de minhas próteses auditivas, particularmente para conseguir realizar telefonemas e ter acesso aos recados de voz, bastante comuns em aplicativos como o Messenger e o WhatsApp.

Antes disso minha surdez era classificada apenas como “moderada” e confesso que não sabia o quanto isso, apesar de ruim, era “bom”: às vezes até podia me dar ao luxo de realizar atividades sem usar os aparelhos, pois a sensação era (apenas) a de estar com um travesseiro ao redor da cabeça e, mesmo com os sons abafados e as vozes incompreensíveis, os sons do ambiente eram distintos… especial e prazerosamente a música.
Agora nem com grande esforço sou capaz de ouvir minha própria voz, respiração ou pulsação, quanto mais a maior parte do que soa no ambiente!

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Se Lembra Quando Era Só Brincadeira?

Você, quando era criança, já tapou os ouvidos para experimentar como seria ser surdo ou qual a sensação de não ouvir nada?
Já usou isso para, numa conversa chata, fazer pirraça dizendo “não ouço nada”?

Agora estou habilitado — ou desabilitado? — a contar que mão no ouvido não chega nem perto da sensação absolutamente claustrofóbica de não mais ouvir sua própria respiração, pulsação… nem mesmo a própria voz!!
Pois não foi que dia 04 de novembro, vai fazer um mês depois de amanhã, acabei sendo premiado com um aprofundamento nessa experiência?

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